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Pode ter sido um alinhamento estrelar especial, uma coincidência, a evolução karmática da alma ao longo dos séculos, uma projeção cósmica ou, dependendo do que você acredita, o destino. Mas o fato é que a vida de David Bowie esteve inúmeras vezes entrelaçada com os mistérios do universo e deixou uma marca preciosa na ficção científica e no imaginário de diversas gerações. Todas as suas experiências artísticas pareciam ser marcadas por algo a mais, cobertas por uma aura de fantasia e singularidade.

Foi assim desde o começo de sua carreira.

Space Oddity, seu primeiro single de sucesso comercial, estreou 5 dias após o lançamento da missão Apollo 11, em 1969, marcando o início da jornada do homem para a Lua.

Sua música, seus personagens e seus looks, certamente impactaram a ficção científica de uma maneira que nenhum outro artista conseguiu até hoje. Mas esse tributo, em especial, é sobre as pequenas coisas, as sementes que ele plantou em nosso mundo, as consequências mais variadas e interessantes de sua jornada como artista, intelectual e ídolo de diversas gerações.

Axl Rose sobre David Bowie: "David Bowie era como um Deus"

Axl Rose sobre David Bowie: “David Bowie era um Deus”

A corrida espacial da Guerra Fria e as novas descobertas sobre o espaço aguçaram a curiosidade da humanidade em relação ao que existe na imensidão sideral. A ficção científica viu uma verdadeira explosão de novos projetos; conquistou mais autores, diretores de cinema, músicos, desenvolvedores de games e muitos outros tipos de artistas. E tanto pelo talento quanto pelo visual mutante que parecia ter vindo de outro mundo, David Bowie apareceu e levou sua aura para diversos desses projetos, tornando-os únicos e inesquecíveis como ele.

Com seu visual original, enigmático e andrógeno que cativou a juventude de sua e de outras épocas, não demorou muito para Bowie chegar às salas de cinema. “The Man Who Fell to Earth” em 1976 conta a história de um alienígena que veio à Terra em busca de um recurso natural que faltava em seu planeta natal: a água. Até hoje o filme é considerado um clássico da Ficção Científica.

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The Man Who Fell To Earth / O Homem Que Caiu Na Terra

Outro ponto alto da sua carreira no cinema foi o clássico fantástico “O Labirinto – A Magia do Tempo”. Ele escreveu e produziu 5 músicas da trilha sonora, além de interpretar um dos personagens infantis (?) mais estranhos, Jareth. Esse clássico da Geração X tem tudo o que um filme dos anos 80 deveria ter: David Bowie, uma trilha sonora cheia de sons sintéticos e uma história bem perturbadora (o que no começo parece uma inocente jornada de autoconhecimento de uma menina por um labirinto, termina como uma recriação fantástica da relação de um sequestrador manipulador, vingativo e abusivo com sua vítima).

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The Labyrinth / O Labirinto – A Magia Do Tempo

Existe até uma paródia desse filme que rolou na internet há alguns anos atrás, com Neil Gaiman e sua esposa Amanda Palmer:

 

A relação entre David Bowie e Neil Gaiman também deixou marcas na ficção científica. Apesar de não serem amigos pessoais (Gaiman já comentou sobre a ironia de ser melhor amigo do filho de Bowie e manter uma relação platônica de fã com o cantor), Neil fez parte da geração que foi inspirada por Bowie e que hoje nos inspira. Durante a adolescência, David Bowie era seu maior ídolo e Neil absorvia tudo o que ele escutava, dizia e fazia. Parecia até uma fã pré-adolescente de boybands. Ele inclusive escreveu uma fanfiction para o cantor, chamado “The Return Of The Thin White Duke”, um prelúdio a história de um dos personagens de Bowie, o Thin White Duke. A fanfiction (como o próprio Neil Gaiman a classifica) está disponível em seu site, apenas em inglês, com ilustrações de Bowie e sua esposa, Iman, feitas pelo ilustrador japonês Yoshitaka Amano.

Ilustração © Yoshitaka Amano

Ilustração © Yoshitaka Amano

Além disso, David Bowie é o “modelo” por trás de Lúcifer, o anjo caído dos quadrinhos de Sandman. Em uma entrevista para o Chicago Tribune, Gaiman assume sua admiração pelo cantor e conta que a imagem de Lúcifer foi inspirada no “Bowie jovem, em seu período de cantor folk”.

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© Neil Gaiman

Parece que David Bowie fez questão de participar dos melhores presentes que a ficção científica nos deu. Até mesmo quando suas aparições são furtivas, como no caso do filme “Twin Peaks: Fire Walk With Me”, o prelúdio da série de David Lynch, queridinha dos fãs das ficções fantástica e científica. Ele interpreta o agente Phillip Jeffries que está desaparecido. Apesar de ter uma cena curta, é impossível esquecê-lo.

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Você pode conferir a cena completa aqui.

No lançamento de um dos games mais revolucionários do começo do século, ele também estava lá. Quando a produtora Quantic Dream – famosa por desenvolver games com histórias tão bem pensadas que poderiam virar filme – lançou o jogo “Omikron: The Nomad Soul”, um clássico cyberpunk, Bowie desenvolveu a trilha sonora psicodélica, com sons criados por sintetizadores, dando ao game um ar de distopia ao estilo Blade Runner. David Bowie também interpreta dois personagens do jogo: o vocalista de uma banda rebelde, que foi proibida pelos líderes daquele universo e Boz, uma entidade tecnológica.

David Bowie marcou o mundo. Ele cativou nossos pais, irmãos mais velhos e a nós. Continuou produzindo até o seu último momento e nos encantou durante a sua vida toda.


There’s a starman waiting in the sky

He’d like to come and meet us

But he thinks he’d blow our minds

 

Sobre Antimateria

A Antimatéria é um site criado e mantido por quem ama ficção científica e adora falar sobre isso.

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