was successfully added to your cart.

Johanna Döbereiner

Johanna Döbereiner nasceu em 1924 na Tchecoslováquia e formou-se em Engenharia Econômica pela Universidade de Munique, no final da Segunda Guerra Mundial (1939/45), que foi responsável pela sua imigração ao Brasil e, também, pela sua naturalização como brasileira. Em 1951, um ano depois de sua chegada, foi pesquisadora do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas do Ministério da Agricultura (SNPA), que procurava um cientista estrangeiro para dar início nas pesquisas de microbiologia do solo.

Naquela época, o mundo estava inserido na Guerra Fria e o Ocidente competia com a URSS e seus aliados em vários setores: automobilístico, bélico e também na “revolução verde”, que propunha aumentar a produção agrícola incentivando pesquisas em sementes, fertilização do solo e utilização correta de maquinário. Durante muito tempo a técnica utilizada para fixar o nitrogênio no solo (elemento químico que não só permite como acelera a fertilidade das terras agrícolas) se baseava no uso de inseticidas, agrotóxicos, adubos químicos e herbicidas. Johanna acreditava que esse processo poderia acontecer de maneira mais orgânica: as próprias bactérias presentes no solo de algumas regiões do Brasil, poderiam fazer esse trabalho e, de quebra, o setor agrícola poderia economizar muito dinheiro se não importasse tais produtos químicos.

Foi em 1964, quando o governo brasileiro começou a investir no plantio de soja, que a Doutora Döbereiner provou suas ideias e aumentou o potencial agrícola do Brasil. O mesmo método é utilizado até hoje, economizando anualmente mais de U$1 bilhão em produtos potencialmente tóxicos para o consumo humano. O método também foi aplicado no plantio da cana-de-açúcar, aumentando consideravelmente a produção do álcool como combustível.

Foi com o trabalho desta cientista que o Brasil conseguiu melhorar a qualidade de produção de suas leguminosas e coloca-las em preço de competição no mercado internacional. Ela é uma das cientistas brasileiras mais citadas pela comunidade científica mundial e a primeira mais citada entre as mulheres. Já publicou 500 trabalhos e foi indicada ao Prêmio Nobel de Química em 1997 (alguns colegas cientistas dizem que ela só não ganhou o prêmio, porque seu trabalho teve começo, meio e fim em terras tupiniquins. Se por trás de seus méritos acadêmicos estivesse uma faculdade norte-americana, por exemplo, talvez recebesse mais prestígio da comunidade científica internacional).

Johanna Döbereiner faleceu em 5 de outubro de 2000, na cidade de Seropédica, onde morava e trabalhava como pesquisadora para a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Alguém aí ainda acha que ciência não é coisa de mulher?

tumblr_n5ec3gr6CK1t90x77o1_500

FONTES: Biografia no CNPQ | Scientific American Brasil – A Pesquisa que Revolucionou a Agricultura

Sobre Isabella Furtado

Formada em Produção Editorial e grafiteira das paredes de seu próprio quarto nas horas vagas. Descobriu a ficção científica quando tinha 12 anos e desde então, não conseguiu mais largar.

Deixe seu comentário