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A Revista Antimatéria esteve presente no cine-debate do longa “Branco Sai, Preto Fica”, filme nacional de ficção científica do diretor Adirley Queirós, lançado para o público ontem (26/03), no Cine Belas Artes.

Para colocar esse filme no radar cultural brasileiro foi necessário cruzar a fronteira entre documentário e ficção, mesclando uma distopia social com muito hip-hop, sátiras, simbolismos e comédia. O cine-debate aconteceu no Ateliê do Gervasio e contou com a presença de Eduardo Suplicy (secretário de Direitos Humanos de SP), Douglas Belchior (ativista do movimento negro, professor e coordenador da UNEafro Brasil), Rubens Machado (livre-docente em História e Crítica na USP), Laura Capriglioni (jornalista da Ponte – Direitos Humanos e Segurança Pública) e, por Skype, o diretor Adirley Queirós.

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Da parte documental de “Branco Sai, Preto Fica”, conhecemos o personagem principal: um baile de black music na Ceilândia, cidade satélite de Brasília, em 1986, quando mesmo após a saída dos militares, o rigor da ditadura ainda permanecia. O baile acontecia periodicamente, juntando quase 2.000 pessoas (em contraponto com a cena musical de Brasília, dominada por brancos) e, quase sempre, acabava com a intervenção violenta da polícia. Em uma dessas intervenções o título do filme saiu da boca do próprio agente policial, querendo dizer que brancos estavam livres para sair da confusão e os pretos ficariam para ver o circo pegar fogo. Muitas pessoas sofreram danos físicos em tais intervenções. Duas delas, DJ Marquim da Tropa (que ficou paraplégico) e seu amigo Chockito (que perdeu parte da perna e a substitui por uma prótese), passam o filme relembrando seu passado interrompido.

Entrando na ficção, vemos os dois amigos planejando vingança contra as ações de permanência do status quo realizadas pela polícia da época e pela sociedade atual. A Ceilândia e a falta de mobilidade dos personagens, questionam a deficiência do diálogo que temos com agentes políticos. Sabemos que as cidades satélites surgiram porque Brasília foi feita para os detentores do poder político e, seus construtores – que saíram de suas cidades com promessas de trabalho e moradia – foram esquecidos depois que a obra foi entregue, formando praticamente um apartheid social. Essa situação é bem colocada no filme quando os moradores da Ceilândia precisam arranjar passaportes especiais para entrar em Brasília. Para ajudar a resolver o problema, Dimas Cravalanças (Dilmar Durões) é um agente especial enviado do futuro, que precisa reunir provas o suficiente, voltar ao seu tempo (dominado pela vanguarda cristã) e endossar um processo contra as atrocidades do governo brasileiro.

Ao unir documentário com ficção, Adirley Queirós nos oferece uma distopia bombástica, louca, que nos parece tão fora da realidade ao mesmo tempo em que é tão verdadeira. Pode ficar até difícil separar o que aconteceu da ficção, de tanto significado atrelado à realidade que as metáforas carregam. Só assistindo para entender, ou para ficar ainda mais confuso. De qualquer maneira, vale a pena.

Confira o trailer:

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